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JOSÉ CLÁUDIO QUEIROZ PINTO

Criado em Quinta, 07 Junho 2012 21:46

jose claudioAzougue – O sobrenome Pinto é uma marca tradicional em Mossoró e isso certamente facilitou a sua infância, adolescência. Tudo fácil, ou algumas dificuldades existiam?

José Cláudio – Para que você tenha uma ideia, eu consegui concluir o curso de contabilidade na famosa União Caixeiral, porque a senhora Maria Maia, que fazia parte da sua diretoria, conhecia a realidade financeira dos meus pais e me permitiu estudar de graça. Amigo, se isso não tivesse acontecido, muito provavelmente eu não saberia somar 2 mais 2, até porque até hoje eu sou um bocado burro (risos) na matemática

Azougue – Fale-me sobre os seus primeiros passos profissionais.

José Cláudio – No ano 1950, o registro do meu primeiro emprego, na revenda Chevrolet, cujo proprietário era Humberto de Aragão Mendes. No complexo da Chevrolet existia também a marca das geladeiras Frigidaire e como eu já demonstrava tirocínio para o comércio, o seu Humberto me mandou a São Paulo, onde fiz estágio na área. Por cerca de 10 anos prestei esses serviços e resolvi buscar os meus próprios caminhos. Fiz um curso por correspondência para assistência técnica de rádio que me deu a condição de fabricar rádios e radiolas. Comprava as peças a fazia a montagem e pouco tempo depois inaugurei a Casa Rádio, que sobreviveu até o ano 1978.

Azougue – Como surgiu a revenda da Volkswagen em Mossoró?

José Cláudio – Eu era muito amigo do gerente da Volks em Mossoró, que naquele momento se apresentava como uma filial de marcas, existindo da direção nacional a determinação de absoluta exclusividade da Volkswagen. Recebi o convite e fundei a Mossoró Motor S/A, que obrigatoriamente tinha que ser composta por sete sócios. Entraram na empreitada os senhores Soutinho, Oscar Dantas de Medeiros, Tibério e Fernandinho Rosado, e mais outras pessoas de Natal. Tempos depois fiquei como absoluto na empresa e a dirigi por um espaço aproximado de oito anos.

Azougue – Depois apareceu uma tal de quebradeira?

José Cláudio – Eu negociava sem capital de giro, rolou uma ciranda financeira aí quebrei de não prestar e a minha sorte foi que na época eu já estava careca, senão não teria como comprar a minha sempre favorita brilhantina Glostora (risos). Fui para Paragominas, no Pará, grilando (para não dizer, roubando) madeira. Depois de um ano grilando madeira (aqui pra nós, ROUBANDO MESMO), aí o governo paraense proibiu a venda de madeira em tora, ela tinha que sair beneficiada. Olhei para um lado e outro e disse para mim mesmo: “Tava tão bom, a mamata tava tão boa e vem o governo e me faz quebrar de novo. Ainda bem que deu para juntar HONESTAMENTE (risos) o dinheiro suficiente para pagar as minhas contas em Mossoró”. Fiz as trouxas e vim cantando a famosa música de Waldick Soriano, “Eu não sou cachorro não” (risos). Voltei à terrinha, arrendei o posto de combustíveis Imperial, pertencente a Luiz Pinto e depois construí o Hotel Imperial, que é dirigido por minha filha Claudinha e ao lado do meu outro filho Amstrong executamos outras empreitadas. Sabe, Caby, de uns tempos para cá eu passei a ser o famoso manicaca de filhos, não mando mais em nada e quando penso em armar uma presepada eles puxam as minhas orelhas. Resumindo: “Tô lascado”.

Azougue – Falaram-me que na juventude você era um tremendo pegador. Verdade?

José Cláudio – Vou informando que me casei aos 38 anos de idade e teve uma fase em que eu tinha um karmanguia, apontado como carro de playboy. Eu sempre usei uma filosofia de vida: caiu na rede é peixe. A verdade é que eu não deixava passar nada e podia ser nova, velha, bonita, feia, inteligente, burra, o que fosse. Encostando no velho aqui o couro comia.

Azougue – Quais os amigos da boemia?

José Cláudio – O finado Ribeiro da Rimol, Paulinho Fernandes, Dartaian, Fernandinho Rosado e outros. Antes que você me pergunte, vou antecipando. Pontos da cerveja, Churrascaria O Sujeito e ACDP, e depois das 23h, pernas pra que te quero para o cabaré, já devidamente armado para o famoso enxerimento.

Azougue – 101 dias internado em hospital. Como foi isso?

José Cláudio – Há 2 anos, em minha residência, eu tive a péssima companhia de uma forte dor no estômago. Fui levado por Claudinha a um hospital e o tempo passou sem que me fosse apresentado um diagnóstico. Nem a miserável da dor passava e eu quase que em estado de coma. A notícia se espalhou e daqui aproveito para agradecer ao dr. Hipólito Monte, que foi criado ao lado da Casa Rádio e que já disse que eu era uma espécie de seu segundo pai. Pois bem, o Hipólito tomou conhecimento da minha situação e mandou dizer para os meus familiares que me levassem para o seu Hospital Monte Klinikum, em Fortaleza, com urgência, pois ele queria me tratar, queria ser o meu médico. Veio o diagnóstico e eu estava com uma pancreatite em alta escala. Dr. Fred Miranda, infelizmente já falecido, chamou Armstrong e disse: “O quadro aponta apenas 5% de possibilidades de sobrevivência”. Me levaram em uma ambulância para Natal e na metade do caminho, na cidade de Lajes, o médico acompanhante chamou o motorista e falou: “Daqui para frente não obedeça nenhum sinal e acione a toda hora a sirene, pois o coração dele está praticamente sem funcionar”.

Azougue – Você ouviu este depoimento do médico?

José Cláudio – Nada, eu já estava em coma. Se eu tivesse ouvido podia até não morrer da doença, mas com certeza morreria de medo e ainda por cima todo borrado (risos).

Azougue – E aí, Natal, Hospital da Unimed?

José Cláudio – No quinto dia do internamento uma filha da mãe de uma infecção generalizada achou de terminar de arrebentar o velho aqui. Houve um período de melhora, tanto é que fui para casa do meu cunhado Zé Fernandes, e lá vem à miserável da dor novamente. Voltei ao hospital e soube depois que alguns médicos me botaram o apelido de Zé Alencar (risos). Fui à faca, me abriram todo, mas tiraram o que de ruim eu tinha e me fizeram a seguinte recomendação: “Não coma gordura, e nem pensar em bebida alcoólica”. Eu já de saída do hospital, depois de cerca 100 dias, dos quais 97 em uma UTI, disse: “Doutor, a carne gorda eu dispenso, a bebida fica difícil e como também tenho certeza que Viagra nenhum do mundo me fará milagre, o jeito é eu fumar maconha, cheirar cola de sapateiro”. O senhor está dizendo que eu estou vivo, porém lascado da cabeça aos pés. Agora Caby, se ele estiver pensando que eu deixei de tomar a minha cachacinha, está redondamente enganado.

Azougue – O que foi de pior nesta história toda?

José Cláudio – O pior mesmo foi pensar que eu tinha um grande amigo. Ele ligava todos os dias para Claudinha, querendo saber como eu estava. Quando voltei a ser gente, descobri que ele tava amancebado com uma galega que eu namorava em Grossos, de aproximadamente 90 anos, que não sabe ler nem escrever. Eu não vou dizer o nome dele, não, porém posso informar que é ginecologista, já fez mais de 41 mil partos, só atende pelo SUS, é muito seu amigo e também de Flávio Gurgel e que tem o pré-nome do primeiro jesuíta do Brasil, que me parece se chamava Anchieta. Que amigo traíra. Eu entre a vida e a morte e ele me mandando um par de chifres (risos).

Comentários   

 
0 #1 Helio Paula 21-05-2014 18:14
Zé Claudio da Casa Rádio e da Mossoró Motor S/A.
Tive o grande prazer de trabalhar para você na sua Mossoró Motor, na década de 60, embora por curto espaço de tempo.
Deus te dê muitos e muitos anos e anos de vida.
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