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TOINHO STER BOM

Criado em Segunda, 28 Janeiro 2013 00:00

toinho ster bomMeu pai José Leite Sobrinho era um humilde agricultor e tinha também como fonte de renda uma carroça puxada por um jumento para o transporte de água de cacimba e também de açude. Eu chegava a vender cerca de 400 picolés por dia. Eta cabrazinha marreteiro. Você o conhece? De mergulho (risos) eu só entendia o que tinha visto na televisão. Muita gente, mas muita gente mesmo, porém prefiro citar apenas um e ele sabe exatamente o que fez de bonito por minha família. Tasso Rosado. Aliás, a época era bucho, roncava mais que um fole velho, a minha emotividade fala alto e muitas vezes as lágrimas desfilam em meu rosto.

Azougue – O que fez sua família aportar em Mossoró?

Toinho – Toda a minha família é de Junco, hoje MessiasTargino, e eu nasci no dia 5 de junho de 1959. Em 1972 chegamos a Mossoró. Meu pai José Leite Sobrinho era um humilde agricultor e tinha também como fonte de renda uma carroça puxada por um jumento para o transporte de água de cacimba e também de açude. Quem gozava de uma melhor condição comprava a água de cacimba e os menos abastados compravam a do açude. Quando somava 37 anos de idade apareceu uma espécie de sinal na coxa do meu pai, todos nós leigos no assunto não entendemos a gravidade daquele sintoma. Era um câncer que aflorava. A minha mãe, D. Francisca Alves Jales, tinha um relacionamento de amizade e também familiar muito saudável com a senhora Elizenir Jales, esposa de Tasso Rosado, que arranjaram um emprego para o meu velho na empresa Socel Salineira. Em pouco tempo o câncer levou o nosso pai a óbito. Nós morávamos no Alto da Conceição e para completar a delicada situação que atravessamos veio a enchente de 1974, e simplesmente levou a nossa casa com tudo que tinha dentro.

Azougue – Como o picolé apareceu na sua vida?

Toinho – O pai doente, a casa levada pelo rio e nada de perspectivas, eu tinha que ir à luta. Cheguei ao chafariz de D. Cecília, em frente à famosa mercearia de Chico da Porta Larga, e funcionava na vizinhança a Sorveteria Mossoró, de propriedade do senhor Lacerda. Encostei lá e pedi um carrinho para vender picolé, ele riu e falou: "Meu filho, você é tão pequeno que não tem forças nem para empurrar o carrinho". Bom, ele percebeu a minha vontade de trabalhar e me deu uma caixa de isopor cheia de picolés. Eu, numa felicidade do tamanho do mundo, passei a fazer "ponto", na Oficina de Cara Suja, em Almeida Aires, nos armazéns de sal, oficinas mecânicas e aí eu construí uma freguesia danada. Caby, eu chegava a vender cerca de 400 picolés por dia.

Azougue – Locais de venda e clientes mais frequentes?

Toinho – Antes eu quero dizer que como vendedor de picolé eu tinha conseguido até comprar uma bicicleta monareta. Eu também fazia ponto (risos), no Café do Povo, Posto Olinda, Posto Itajubá, ia para os treinos do Potiguar e vendia picolé aos jogadores, Batista goleiro, Odilon, Jotabê, Paitabom e tinha um repórter trambiqueirozinho que chupava 3 picolés, me enganava e só pagava 1 ou 2. Esse repórter, talvez você conheça. Ele usava um cabelão, usava tamancos, Eta cabrazinha marreteiro. Você o conhece, Caby (risos)?

Azougue – Muitas lembranças bonitas desta época?

Toinho – Muitas e uma delas eu guardo com muito carinho. Todos os dias eu ia vender sorvete no Posto Olinda e tinha uma senhora, proprietária do restaurante, que ouvia todos os dias o programa Cidade Aflita, apresentado na Rádio Difusora por Jota Belmont. O radinho quebrava a toda hora e ela me pedia socorro. Lá estava eu botando o bicho para funcionar. Como presente me era servido um almoço. Determinado dia ela chegou e falou: "Sorveteiro, eu comprei um rádio novo". Eu cá com os meus botões, falei sozinho. "Tô lascado, perdi a minha gororoba". Que nada, a senhora tinha um coração cheio de amor e continuou me dando a alimentação. Olha, este lance eu lembro com um carinho sem tamanho.

Azougue - E essa paixão pelo mar, quando nasceu?

Toinho - Eu caminhava vendendo os meus picolés e quando via uma casa com o televisor ligado e era apresentado o seriado Viagem ao Fundo do Mar, eu parava e ficava assistindo nas calçadas dos clientes e dizia para mim mesmo: "Eu ainda vou ser um mergulhador profissional". Amigo, esse sonho ficava na minha cabeça a toda hora e terminou por se tornar realidade. Continuei a minha batalha na venda dos picolés, arrendei uma máquina de fabricar o produto, passei a trabalhar como autônomo e aí somamos na produção o sorvete, numa empreitada que durou cerca de dois anos e para falar a verdade, não tínhamos funcionários, contávamos apenas com os famosos ajudantes e nos dando uma força tremenda a presença da minha mãe, que era o nosso grande equilíbrio. Tudo bem, tudo caminhando dentro dos limites da normalidade, porém, crescia a cada dia o sonho de ser mergulhador. Vendi a sorveteria e comprei um carro Chevette 1979, e também as placas de táxi. Fui sondar uma vaga no posto de táxi São José e recebi uma força danada do seu pai, Caby, senhor José Izídio de Lima, que disse "o lugar é seu, vá à luta. Vá ganhar seu dinheirinho para dar de comer a sua família". Passei pouco tempo, apenas uns 30 dias, porque fui abordado por um senhor de nome João Acácio que me disse ter afundado uma draga da Ster Engenharia, em Areia Branca, que havia saído de Santos e tinha como destino São Luís do Maranhão. A Ster alugou meu carro por 15 dias e como resultado passei a ser seu funcionário, emprego esse que durou 12 anos, dos quais, três na cidade salinésia e o restante no Guarujá, SP. O detalhe é que eu falei para o patrão que era mergulhador, uma mentira danada que salvou a minha vida profissional. De mergulho (risos) eu só entendia o que tinha visto na televisão. Aprendi a arte do mergulho sozinho e me tornei um mergulhador profissional, fato este que me enche de orgulho.

Azougue – Aí veio o retorno ao Rio Grande do Norte?

Toinho – Eu já estava casado com Zauleide, e em 1990 nasceu o meu filho André e eu resolvi fixar residência em Natal, porém faço questão de frisar que ainda em São Paulo eu tinha comprado uma máquina para o fabrico de picolé e sorvete e montei o meu próprio negócio no bairro do Alecrim, já com a marca Ster Bom, com atuação, apenas em sorvetes, vindo a seguir o picolé, depois casquinha de sorvete e posteriormente gelo. De funcionários apenas eu e minha esposa. Produzíamos os produtos que eram vendidos para o pessoal que dispunha dos carrinhos. Mudei de endereço, indo para a Avenida 7, posteriormente fomos para a Rua dos Caicós e aí já somávamos 20 funcionários. Fomos ampliando espaços, raios de ação e em, 1998, me instalei na BR 304, Distrito Industrial de Parnamirim, onde estou até hoje.

Azougue – Nova estrutura com novos avanços?

Toinho – Graças a Deus, os números comprovam a nossa ascensão. Na abertura a Ster Bom contava 50 funcionários e temos atualmente uma marca superior a 600 profissionais.

Azougue – As portas da Ster Bom não são fechadas?

Toinho – Para quem quer trabalhar honestamente, para quem quer subir na vida, as portas da Ster Bom, não estão apenas abertas, estão e estarão sempre absolutamente escancaradas. Agora se o cidadão quer vadiar, aí sim as portas e portões estão completamente travados.

Azougue – O que é produzido na Ster Bom?

Toinho – Picolé, sorvete, gelo, polpa de fruta, a cobertura para passa, o casquinho e a água mineral.

Azougue – Qual a produção/dia da Ster Bom?

Toinho – Eu vou falar da capacidade instalada que temos. Picolés, 18 mil unidades - Sorvete de massa aproximadamente 7 mil - Casquinha, em torno de 30 mil - Água mineral de 500 Mls, 8 mil. Garrafão de 20 litros, 1.600 - Copinhos 3 mil e a polpa de frutas 4 mil quilos.

Azougue – Alguém em especial em Mossoró?

Toinho – Muita gente, mas muita gente mesmo, porém prefiro citar apenas um e ele sabe exatamente o que fez de bonito por minha família. Tasso Rosado.

Azougue – Pra finalizar, o Toinho da Ster Bom é um homem muito feliz?

Toinho – Amigo velho, quando vejo meus carros transportando água mineral em direção ao interior do Estado, com um preço que dá condições de uma boa sobrevivência ao revendedor e eu me recordo, que na infância, na minha casa tomávamos água de açude, e na hora de dormir a barriga, aliás, a época era bucho, roncava mais que um fole velho, a minha emotividade fala alto e muitas vezes as lágrimas desfilam em meu rosto.

Azougue – O nosso agradecimento pela entrevista.

Toinho – Só o agradecimento? Eu pensei que você ia me pagar às trombas dadas na compra dos picolés. Caby, velho de guerra, o nosso amigo Kerginaldo Cavalcanti me disse que você ia colocar as contas em dia com este eterno e sempre orgulhoso vendedor de picolés. Vamos lá, ainda há tempo (risos).


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Comentários   

 
0 #8 Jucelino 17-01-2017 13:26
É muito bonito quando se alcança o sucesso com o fruto de seu trabalho, e mais bonito ainda quando não se esquece de suas origens.Não conheço esse cidadão, mas ao ler essa entrevista é difícil não ficar emocionado. parabéns.
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0 #7 jamily 19-07-2016 11:46
ola bom dia, sou jamily filha de neto jalles irmao de geraldo jalles que faleceu em 2011.
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0 #6 monalisa 28-10-2015 22:04
O que significa a logomarca ster bom
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0 #5 Cecílio Araújo da Co 29-04-2015 22:07
Toinho você realmete é um exemplo concreto de trabalho e competencia.
Trabalhamos juntos na dragagem dos alagados em Salvador e em Recife. Seria muito bom se desse para você passar um pouco de suas qualidades para os politicos e empresario do nosso estado.
Um forte abraço.
Gato Maracajá.
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0 #4 josé carlos 18-06-2013 11:52
Os mil caracteres não são suficientes para definir tamanha personalidade, mas, uma breve expressão; eta cabra valente!
Nós te admiramos muito!
Abraços.
José carlos e família
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0 #3 Tarcisio Duarte 08-04-2013 01:38
Parabêns Caby, pela linda entrevista com Toinho da Esterbom, tive o prazer de conhece-lo na decada dos anos 80, quando ele fabricava picole no alicrim, la perto da guarita,e eu fornecia embalagens plastica para ele, e ate hoje quando vejo o nome ESTERBOM, fico muito orgulhoso e sotisfeito e peço a Deu, que lhe de muitos anos de vida, saude paz, e prosperidade, pois toinho merece, um grande abraço do seu amigo Tarcisio Duarte
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0 #2 Lourdes Kain 03-02-2013 14:25
Caro Caby, a entrevista com o Toinho Ster Bom é fascinante. Estive em Natal, recentemente, e por diversas vezes parei em um quiosque na Praia dos Artistas para saborear o picolé de graviola. Ao ler o relato emocionante e agradecido do proprietário fico feliz. Pensava que fosse mais um produto Kibon ou algo parecido. Exemplo inspirador.
Parabéns a você pelo site e pelas brilhantes entrevistas. E viva Mossoró!! Lourdes Medeiros Kain, mossoroense radicada em Brasília.
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+1 #1 Hédimo Jales 30-01-2013 08:58
Amigo Caby, Parabéns pelas revelações extraídas do primo Toinho! Como é gostoso ver o brilho, o sucesso como fruto da luta, do sofrimento. A você, Toinho de Zé Pimenta, meu abraço fraterno!
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